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COMO O AFETO TE AFETA

Afet@ - Como o afeto te afeta? [2018]: brota e desabrocha no cerrado goiano a partir de olhares que desnudam sexualidades, afetividades e corporalidades de casais LGBT’s apaixonados. Tendo por paisagem a ainda abundante biodiversidade do cerrado alto-paraisense, Afet@ volta-se para percepções, reflexivas e sensoriais, sobre como variados tipos de conexões afetam indivíduos, a sociedade e a cultura.

 

Como o afeto te afeta? traz, por meio do olhar da fotógrafa e artivista Melissa Maurer e dos depoimentos dos casais fotografados, sementes e frutos de processos históricos e socioculturais de (des-)naturalização das sexualidades e afetividades que envolvem e afetam essas pessoas e, de modo geral, comunidades sexo-diversas.  

 

Questionando os padrões aceitos socialmente como “normais e respeitáveis”, o projeto põe em foco a auto-aceitação, a conexão com a natureza, a visibilidade da pluralidade, a (des-) naturalização e descolonização de corpos e afetos, questões relacionadas à cidadania, democracia, e, claro, ao amor. O retrato disso pode ser visto nos depoimentos, que trazem desde narrativas poéticas e apaixonadas sobre a descoberta e vivência da afetividade até relatos de violência por parte de familiares, amigos, nos âmbitos profissional e religioso, entre outros.

 

Durante os meses de junho a agosto de 2018, passaram pelas lentes de Melissa, em Alto Paraíso de Goiás – Chapada dos Veadeiros, casais que entraram em contato com a fotógrafa posteriormente ao lançamento de chamada pública nas redes sociais. Mais de 40 casais de todo país manifestaram interesse em participar do projeto, tendo alguns a limitação da nudez e da distância para realizá-lo.

 

As publicações de fotos e depoimentos nas redes sociais – Facebook e Instagram –, feitos com casais de corporalidades e expressões diversas do gênero, renderam vários bloqueios e exclusão de fotos da fotógrafa, tendo por alegação que suas publicações violam os “Padrões da Comunidade sobre nudez ou atividade sexual, (...)porque alguns públicos são sensíveis a diferentes questões em relação à nudez.”

 

Melissa entende que, por meio dos vários projetos fotográficos que há anos desenvolve com a nudez, sua expertise em publicar fotos que não violem os padrões das redes sociais (ocultando completamente mamilos femininos e órgãos sexuais) não funcionou para este projeto, pois, para além de uma nudez “quase coberta”, ele “desnuda afetos que não são heteronormativos”. “A censura”, diz, “recai sobre a felicidade das pessoas que demonstram a plenitude e a integralidade do ser fora dos padrões que nos obrigam seguir e viver. Isso contradiz a diversidade humana, a democracia e, ainda mais, o amor.”

 

(Texto: Priscila Marília Martins – Mestra em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e namorada de Melissa Maurer.)

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